Contos do Absurdo #7

 

CENAS DO ABSURDO

 

Curioso que futebol e o gênero terror  se misturem tão pouco na ficção brasileira.

 

Os dois têm tudo a ver. O torcedor fica tenso durante cerca de 90 minutos, leva vários sustos, vê o jogador adversário como um monstro, principalmente quando dá um carrinho no artilheiro do seu time, o juiz é um cientista maluco que brinca de Deus e dita as leis do gramado a seu bel prazer. É um filme de terror e suspense perfeito.

 

A Copa do Mundo é um épico de terror, com nações inteiras sendo colocadas à prova, como se o destino de seus povos dependesse do resultado dos jogos. Para o brasileiro, sem dúvida a última Copa proporcionou um espetáculo de horrores inimagináveis.

 

O torcedor fanático e o fã de terror também têm muito em comum. Enquanto o torcedor sabe de cor escalações do seu time do coração, tem camisetas pôsteres e diversas outras tranqueiras do time em casa, vai a estádio torcer. quem é apaixonado por um monstro clássico sabe de cor quem participou dos filmes, seriados, quadrinhos, etc., também enche a casa de camisetas, pôsteres e outros cacarecos e vai a convenções de terror e sci-fi. Só que no Brasil se costuma dizer que o primeiro é um torcedor apaixonado e o segundo, um nerd maluco.

 

O Brasil é o pais do futebol - ou costumava ser -, e também o pais do terror. O terror da violência, da injustiça social, da miséria, da corrupção, da impunidade. Pelo menos o terror da fantasia nos dá a possibilidade de uma catarse para os terrores cotidianos, de experimentá-los num mundo controlado por nossa imaginação. E, talvez, nos darmos conta de que eles não são invencíveis e nos sentirmos mais à vontade para encará-los.

 

 

Tenha uma boa leitura… se puder.

 

Alexandre Winck - Editor do Absurdo

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